A Prática do Serviço Social em Comunidade!
12 de julho de 2011
Em abordagem numa comunidade rural, todos os dias me surpreendo da complexidade e das configurações que a questão social fomenta e faz reproduzir o fosso de uma estrutura cruel, violenta, desumana, totalmente desprovida de proteção e acesso aos direitos básicos.
Não se surpreenda que em pleno século XXI, pessoas não saberem como evitar uma gravidez indesejada e usarem a justificativa como: “ depois da relação usei sabonete e mesmo assim engravidei”, “tomei chá de cravo e água com sal e não teve jeito”! Outras mulheres moram anos com um companheiro e não sabem o nome completo do mesmo, a idade e se estudou. Muitas pessoas nem sabem quantos anos possuem e nunca aprenderam escrever o nome ou simplesmente, como muitos falam: “Num sei nem desenhar”! Isso só é um exemplo de muitas e outras situações abordadas.
As pesquisas mostram isso em números e não é por acaso que situações acima acontecem, conforme o Censo Demográfico 2010 (IBGE) existem mais de 16 milhões de brasileiros vivendo em extrema pobreza , com renda per capta até R$ 70 reais, onde 59% estão localizados na Região Nordeste, um total de 9,6 milhões de pessoas, destas, mais de 5 milhões são da zona rural, 53% dos domicílios não estão ligados à rede geral de esgotamento sanitário ou alguma fossa séptica, 48% dos domicílios rurais em extrema pobreza não estão ligados à rede geral de distribuição de água e não tem poço ou nascente na propriedade, 71% são negros, 26% são analfabetos… e por aí vai!
E para uma abordagem reflexiva maior, se tiverem oportunidade gostaria que assistissem o curta : VIDA MARIA, que não paro de assistir e sempre acho algo novo pra analisar, e representa a materialização do real dos dados acima e configuram a reprodução de uma “microfísica do poder” de corpos dóceis (como já dizia Foucault) que é alienada (como abordou Marx), estigmatizada e com sua identidade deteriorada (sabiamente analisada por Goffman), mas os outsiders (nos estudos de Norbete) estão além das estruturas de posse material e foram colocados em uma situação inferiorizada pelos “estabelecidos” .
Referências:
ELIAS, Norbet. Introdução. Ensaio teórico sobre as relações estabelecidos e outsiders. In Os estabelecidos e os outsideres. São Paulo: Jorge Zahar Ed. , 2000.
FOUCAULT, Michael. Os corpos dóceis. In Vigiar e punir. Petrópolis/RJ: Vozes, 1997.
GOFFMAN, Erving. Estigma e identidade social. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada.
MARX, Karl, Manuscritos Económicos-Filosóficos, página 160.
PLANO NACIONAL, BRASIL sem Miséria, Brasília, 2010.
VELHO, Gilberto (Org.) O estudo do comportamento desviante: a contribuição da antropologia social. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 2003.






Olá Santiane,
Tentei usar o twitter para contato, mas não sei direito como utiliza-lo e lá eu não posso escrever muito.
Eu sou estudante de serviço social e minha monografia é sobre educação infantil. Estou tendo muita dificuldade em encontrar possíveis entrevistados e, enfim, a melhor forma até agora foi tentar entrar em contato com pessoas que publicam sobre o assunto na internet. Encontrei o seu blog e gostaria de saber mais sobre a sua atuação/ interesse pela educação.
Se tiver interesse, por favor, entre em contato comigo. Obrigada.